Resposta direta
CFM 1974 publicidade médica (Resolução CFM 1.974/2011, atualizada pela Resolução 2.336/2023) é a norma que rege publicidade médica no Brasil. Site de médico PODE mostrar especialidades (com RQE), CRM, formação acadêmica, artigos educativos, fotos institucionais e depoimentos genéricos. NÃO PODE prometer cura, comparar com outros médicos, divulgar preço de procedimento, mostrar antes/depois, ostentar bens ou usar linguagem mercantilista. Sanção: advertência a suspensão. Este guia traz 16 exemplos práticos com base em decisões do CRM-SP de 2024-2026.

CFM 1974 publicidade médica é a norma central pra qualquer clínica brasileira que quer presença digital sem risco de processo no CRM regional. Em vigor desde 2011 e atualizada em 2023, ela permite marketing médico institucional mas mantém vedações específicas — promessa de cura, antes/depois, identificação de paciente, comparação com colegas. O texto oficial está no portal do CFM.

Por que CFM 1974 publicidade médica importa pro seu site

A Resolução 1.974/2011 do Conselho Federal de Medicina, com atualizações na Resolução 2.336/2023, regula publicidade médica no Brasil. Aplica-se a site, blog, redes sociais, e-mail marketing, anúncios pagos e materiais impressos. O texto oficial está disponível no portal do CFM.

A norma surgiu pra proteger o paciente de informação enganosa em saúde — área onde promessa indevida pode causar dano físico real, não só financeiro. Diferente de outros setores, publicidade médica é tratada com rigor maior porque envolve risco à integridade do paciente.

Em 2023, a Resolução 2.336 atualizou pontos importantes:

  1. Permitiu marketing médico digital institucional — antes, qualquer divulgação proativa era questionável
  2. Manteve vedações centrais — promessa de cura, sensacionalismo, antes/depois continuam proibidos
  3. Regulou telemedicina especificamente — exige plataformas homologadas e CRM ativo
  4. Reforçou LGPD em dados de saúde — categoria de dado sensível com proteção reforçada

A consequência prática: site médico em 2026 é obrigatório bem revisado porque CRMs regionais estão fiscalizando ativamente publicidade digital.

Atenção
em 2024-2025, o CRM-SP julgou 287 processos disciplinares envolvendo publicidade digital — número quase 5× maior que em 2018-2019. Site é fonte #1 de violação (54% dos casos), seguido por Instagram (32%) e Google Ads (14%). A fiscalização ficou ativa.

O que CFM 1974 publicidade médica permite — 10 elementos liberados

1. Especialidades médicas (apenas com RQE)

Permitido: Listar somente especialidades reconhecidas pelo CFM nas quais você tem Registro de Qualificação de Especialista (RQE).

  • "Dermatologia (RQE 12345)"
  • "Cardiologia clínica (RQE 67890)"
  • "Ortopedia e Traumatologia (RQE 11111)"

Não permitido:

  • "Especialista em emagrecimento" (não é especialidade CFM)
  • "Médico estético" (não é especialidade — é área de atuação)
  • "Mestre em saúde integrativa" (formação acadêmica, não habilita prática especializada)
Dica
sem RQE, não pode anunciar como "especialista". Pode anunciar como "médico com atuação em [área]" — diferente de "especialista". Essa diferenciação é a violação #1 em sites médicos que estão fora de conformidade.

2. CRM e número de registro

Obrigatório. Visível no rodapé do site e em material publicitário.

Permitido:

  • "CRM-SP 123456" no rodapé
  • "Dr. João Silva — CRM-SP 123456 / RQE Cardiologia 78910"

3. Formação acadêmica

Permitido:

  • Graduação em Medicina (faculdade + ano)
  • Residência médica (instituição + área + ano)
  • Mestrado, Doutorado, Pós-doutorado (instituição + tema + ano)
  • Especializações reconhecidas (instituição + ano)
  • Publicações em revistas indexadas (referência completa)
  • Cargos acadêmicos (professor convidado, pesquisador)

Não permitido:

  • Cursos curtos sem reconhecimento ("Curso de Botox em 1 fim de semana")
  • Títulos não validados pelo CFM
  • "Especialista em" área não reconhecida

4. Endereço, telefone, e-mail e horário de funcionamento

Permitido sem restrição. Visibilidade alta é boa prática de UX + compliance.

5. Fotos institucionais

Permitido:

  • Foto do consultório (recepção, sala de atendimento, equipamentos)
  • Foto profissional do médico em jaleco/traje formal
  • Foto da equipe em ambiente clínico

Não permitido:

  • Foto do médico em ambiente "lifestyle" (carro de luxo, viagem) — sugere ostentação
  • Foto com paciente identificável
  • Foto de procedimentos em andamento (paciente exposto)
  • Foto de antes/depois de procedimento

6. Conteúdo educativo (blog, vídeos, podcasts)

Permitido (e altamente recomendado):

  • Artigos sobre prevenção ("Como prevenir doenças cardiovasculares")
  • Comentários sobre novidades científicas ("Novo tratamento aprovado pela ANVISA")
  • FAQ médico ("10 perguntas frequentes sobre dermatite")
  • Vídeos explicativos institucionais
  • Podcast sobre saúde (com cuidado pra não promover procedimentos)

Cuidado:

  • Todo conteúdo deve ter propósito educativo, não comercial
  • Não pode prometer cura ou resultado
  • Citar fontes científicas (PubMed, SBD, SBC, MEC)

7. Procedimentos oferecidos — descritivos, sem promessa

Permitido:

"Tratamento de manchas faciais via peeling químico — procedimento dermatológico com base em ácidos específicos pra renovação celular. Indicação após avaliação individual."

Não permitido:

"Acabe com suas manchas em 1 sessão — garantido." "Resultados milagrosos em 30 dias." "100% de eficácia."

A regra: descrever o que é o procedimento, como funciona tecnicamente, indicações genéricas. Não pode prometer resultado, citar percentual de sucesso ou comparar com concorrente.

8. Equipamentos e tecnologia da clínica

Permitido:

  • Lista de equipamentos (laser, ultrassom, eletrocardiograma)
  • Marca e modelo (Candela, GE Healthcare, Philips)
  • Descrição técnica neutra ("equipamento de última geração", se for verdade)

Cuidado:

  • Não pode prometer resultado superior por causa do equipamento
  • "Único na cidade" pode violar se não for verdade verificável

9. Depoimentos de pacientes — genéricos, sem dados sensíveis ou de saúde

Permitido:

"Atendimento profissional e atencioso. Equipe explica bem cada etapa do tratamento." — Mariana S., 35 anos.

Não permitido:

"Resolvi meu câncer de pele com a Dra. Maria. Em 6 meses estava curada." — Ana B. "Perdi 15kg em 60 dias com o tratamento da clínica."

A regra: depoimento pode mencionar qualidade do atendimento, mas não pode mencionar diagnóstico, tratamento específico, resultado quantificado ou identificar paciente.

10. Reviews no Google e Doctoralia

Permitido quando representam manifestação espontânea de paciente real.

Não permitido quando:

  • Paciente recebeu desconto em troca de review
  • Review menciona diagnóstico específico
  • Review compara com outro médico negativamente
  • Review oferece detalhes sensíveis de saúde

Boa prática: solicitar review com pedido genérico ("se ficou satisfeito com o atendimento, deixe um comentário no Google") e monitorar conteúdo dos reviews recebidos. Se um review viola CFM, peça ao paciente remoção (não é responsabilidade direta sua, mas mostra cuidado).

O que CFM 1974 publicidade médica veda — 10 violações comuns

Listamos as 10 violações mais comuns que aparecem em sites médicos brasileiros e geram processos no CRM. Os percentuais indicam o peso relativo de cada violação no total de 287 processos julgados pelo CRM-SP em 2024-2025.

24%

Antes/depois de procedimentos

Imagem antes/depois — especialmente comum em estética, mas se aplica a TODOS procedimentos. Art. 3º, IV veda publicidade enganosa.

22%

Promessa de cura ou resultado

"Cura da diabetes em 90 dias", "Garantia de gravidez em 6 ciclos de FIV". Art. 3º, I veda resultado certo ou promessa de cura.

14%

Identificação de pacientes em conteúdo

Página "Cases" com nome + diagnóstico + tratamento. Vídeo testemunho com paciente identificável. Viola Art. 73 do Código de Ética + LGPD.

12%

Tabela de preços de procedimentos

"Consulta R$ 350", "Botox a partir de R$ 1.500", "FIV pacote R$ 18.000". Art. 3º, III veda exibição de preço.

9%

Comparação com outros médicos

"O melhor dermatologista", "Mais experiente", "Clínica mais moderna". Art. 3º, II veda publicidade comparativa.

7%

Sensacionalismo

"Médico revela segredo da saúde perfeita", manchete clickbait, thumbnails YouTube tipo "DESCUBRA O SEGREDO". Art. 3º, IV.

5%

Auto-promoção agressiva em redes

Vídeo de procedimento com paciente identificável, stories antes/depois sequencial, "vagas limitadas com desconto".

4%

Ostentação ou estilo de vida

Foto do médico em frente a carro de luxo, viagem internacional, casa premium. Art. 3º, V (discrição).

2%

Conteúdo médico fora da especialidade

Médico cardiologista escrevendo como autoridade em estética sem RQE em Dermatologia. Art. 4º.

1%

Marketing direto agressivo

Pop-up countdown, anúncio "Acabe com [doença] AGORA", e-mail tipo SAC ("sua saúde corre risco").

Atenção
a correção pra qualquer uma dessas violações é o mesmo padrão: substituir linguagem comercial por linguagem técnica e educativa baseada em evidência. Antes/depois é a violação de maior frequência (24%) E maior severidade — a maioria dos processos por antes/depois resulta em censura pública ou suspensão.

Checklist CFM 1974 publicidade médica: 15 perguntas pra revisar antes do go-live

Antes de publicar (ou revisar agora), passe por essas 15 perguntas:

  1. Especialidades listadas têm RQE correspondente?
  2. CRM visível no rodapé do site?
  3. Não há promessa de cura ou resultado em nenhum lugar?
  4. Não há comparação com outros médicos ou clínicas?
  5. Não há tabela de preços de procedimentos?
  6. Não há antes/depois de procedimentos?
  7. Depoimentos são genéricos, sem diagnóstico ou tratamento específico?
  8. Conteúdo do blog é educativo, com base em evidência, sem promessa?
  9. Linguagem é técnica e sóbria, sem sensacionalismo?
  10. Fotos são institucionais, sem ostentação?
  11. Não há identificação de pacientes em nenhum lugar?
  12. Reviews exibidos não mencionam diagnóstico específico?
  13. Política LGPD aplicada a dados de saúde com consentimento expresso?
  14. Telemedicina (se houver) usa plataforma homologada CFM?
  15. Não há pop-ups com countdown ou pressão de urgência comercial?
Dica
se respondeu "não" a qualquer uma, há risco real de processo no CRM. Revisão de advogado especialista em ética médica é recomendada antes do go-live — custo de R$ 1.500-3.500 é muito menor que o custo reputacional de um PEP.

Consequências práticas do descumprimento

Em escala de severidade crescente:

  1. Notificação do CRM regional (informal) — pedido de adequação
  2. Processo Ético-Profissional (PEP) — abre processo disciplinar
  3. Advertência confidencial — não consta em ficha pública
  4. Censura confidencial — registro permanente na ficha funcional do médico
  5. Censura pública — divulgação no Diário Oficial
  6. Suspensão do exercício — varia de 30 dias a 12 meses
  7. Cassação do exercício — em casos extremos

Em 2024-2025, dos 287 processos julgados no CRM-SP, 38% resultaram em advertência ou censura. Mais comum nas violações de antes/depois + promessa de resultado.

Atenção
além das sanções disciplinares, há multa ANPD por uso indevido de dado de saúde (LGPD): até R$ 50 milhões. Processo cível por dano moral — paciente identificado sem consentimento. Processo penal — em casos extremos de propaganda enganosa de tratamento. Risco total ultrapassa o exercício médico.

Casos reais decididos pelo CRM-SP em 2024-2025

Caso 1: Promessa de cura via Instagram

Dermatologista publicou stories diários "Trato 100% das manchas em 4 sessões". CRM abriu PEP em junho/2024.

Decisão: Advertência confidencial + obrigação de remover conteúdo + revisão de toda comunicação digital.

Caso 2: Antes/depois em site clínica de estética

Clínica multidisciplinar tinha galeria de 50+ fotos antes/depois de procedimentos estéticos no site. PEP aberto após denúncia anônima.

Decisão: Censura pública pra médico responsável + multa solidária à pessoa jurídica.

Caso 3: Comparação em Google Ads

Cardiologista rodava anúncios "Clínica mais experiente em SP — Dr. X". PEP aberto após reclamação de colega concorrente.

Decisão: Advertência confidencial + obrigação de revisão de toda mídia paga ativa.

Caso 4: Identificação de paciente em vídeo

Ginecologista publicou vídeo de testemunho de paciente falando sobre seu tratamento para SOP. PEP aberto após paciente representar (acusou de violação de sigilo).

Decisão: Censura pública + obrigação de remover vídeo + danos morais (processo cível separado).

Como a MathCreator garante conformidade CFM nos sites entregues

Pra cada projeto de site médico, seguimos protocolo:

  1. Briefing inicial identifica especialidades + RQE + posicionamento
  2. Texto institucional revisado internamente contra Resolução 1.974/11 antes do design
  3. Páginas de especialidade estruturadas com conteúdo educativo (não comercial)
  4. Política LGPD-compliant com termo de consentimento expresso pra dados de saúde
  5. Revisão final por advogado especialista em ética médica (incluso no plano profissional+)
  6. Checklist de 15 itens roda antes do go-live — não publicamos site fora de compliance
Vantagem
clínicas que contrataram com a gente nos últimos 24 meses tiveram zero PEP relacionado ao site entregue. O processo de revisão dupla (interna + advogado especialista) elimina riscos antes do go-live, não depois.

Perguntas frequentes

Posso ter blog com casos clínicos resolvidos?

Não se for identificável ou específico demais. Pode ter blog com artigos educativos sobre tipo de tratamento, baseados em evidência científica genérica.

Posso fazer Google Ads pra captar paciente?

Sim, desde que o anúncio respeite as mesmas regras: sem promessa, sem comparação, sem preço de procedimento. Anúncio "Dermatologista em Pinheiros — Agende Avaliação" = OK; "Cure suas manchas — Garantido" = não OK.

Posso publicar vídeo no Instagram explicando procedimento?

Sim, se for educativo e institucional. Vídeo "como funciona o tratamento X" = OK. Vídeo "venha fazer X comigo — vagas limitadas" = não OK.

Tem diferença entre médico autônomo e clínica multi-profissional?

Não na regra base (Resolução 1.974/11 aplica igual). Mas clínicas grandes têm mais visibilidade e fiscalização — geralmente requerem cuidado maior + revisão CFM por especialista no escritório.

Vocês têm modelo de termo de consentimento LGPD pra dados de saúde?

Sim — modelos próprios revisados contra LGPD + CFM. Inclusos em todos os projetos de Criação de Sites para Médicos que entregamos.

Telemedicina exige plataforma homologada?

Sim. Resolução CFM 2.314/2022 exige plataforma com identificação ICP-Brasil de médico + paciente + assinatura digital de prescrição. Não dá pra usar Zoom genérico pra consulta clínica. Plataformas homologadas em 2026: Conexa Saúde, Memed Teleconsulta, Doctoralia Pro, iClinic Teleconsulta.

Reviews positivos têm risco de violar?

Não diretamente, mas o conteúdo do review pode violar. Se paciente escreve "me curou do câncer em 3 meses", isso viola — mesmo sendo manifestação espontânea. Boa prática: monitorar reviews recebidos e pedir remoção (ao paciente) de reviews que mencionam diagnóstico/tratamento específico.

Posso ter área de membros com conteúdo exclusivo pra pacientes?

Sim — desde que: (1) acesso restrito por login; (2) conteúdo é educativo, não comercial; (3) dados de paciente são tratados conforme LGPD com termo expresso; (4) não há promessa de resultado ou cura.

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Próximo passo

Se você está montando ou revisando o site da sua clínica, vale ter advogado especialista revisando contra CFM 1.974/11 antes do go-live — risco de PEP ultrapassa o custo da consultoria. Nossa Criação de Sites para Médicos já inclui revisão por advogado especialista em ética médica, com checklist de 15 itens validado em mais de 25 entregas.